eu vivo cada dia esperando o que vem depois. eu acordo na segunda pensando na sexta. eu levanto rumo ao dia pensando no gelo do copo à noite. eu faço vinte anos pensando nos quarenta, eu faço força pra caminhar pro futuro deixando o passado e riscando o presente do meu dicionário. eu como chocolates pensando na gordura vindo pro abdômen. eu pego o ônibus pensando fundo em tudo que não tenho mais e suspiro de uma saudade imensamente maior que eu. eu até às vezes torço pra acabar logo é que eu já às vezes não quero desejar, conquistar e planejar só pra tudo acabar e me restar a janela com molduras de lágrimas céu turquesa no fundo. eu às vezes até quero, sim. às vezes até sou forte, faço, tudo, busco, corro, faço, rindo, forte. e nessas horas até parece que vivo. mas se me deixo pensando nas pedras do chão, que sujas rolam, ficam, e permanecem, as pobres permanecem, me dá aquele calor de fogo nas orelhas, e então afasto esse sussurro pra continuar meus passos firmes, resolutos, tão invencíveis quanto floco de açúcar frente a balde d’água. balde d’água na minha cabeça. nascer, crescer, estudar, trabalhar, ter um bom cônjuge, ter bons filhos, ter bons netos e acabar lenta, seca, e remanescente num canto de sala, esperando o fim que virá, e não vem esse fim, fim onde está você, olhando o que se foi, resgatando lembranças, tirando poeira, vendendo por muito mais do que elas valem. essa é a beleza da vida, com alguns momentos de alegria e tristezas infinitas no meio, mas essa é a vida, a sua, a minha e a dos que virão.
por que será que em algumas tardes dessas não vejo graça alguma nisso?
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Um comentário:
adorei isso.
me traduziu. um pouco.
bjos,
mi do sync.
Postar um comentário