30.5.09

bem que podia ter sonhado com essa árvore cheia de doces. ou com o conforto da minha cama na casa dos meus pais quando tinha 8 anos e o mundo me parecia uma longa extensão da imaginação, seguro e imensamente misterioso. o quintal tinha um casal de coelhos brancos de olhos vermelhos, e virava e mexia me surpreendia com coelhinhos pulando de um lado pro outro no mato. pegá-los era um desafio e tanto, e era bom. numa dessas a gente pegava folhas de hortelã e socava no copo com água, pegava um figo maduro do pé e sentava na pedra pra lanchar. o quintal tinha plantas, frutas, flores, coelhos, pássaros, lagartos, e cobra também eu sempre achei que tinha, e terra, muita terra. e a terra de todos os lugares tem o mesmo cheiro, percebi. essa terra que me gela um pouco agora tem o cheiro daquela do quintal que era farinha pros nossos bolos de guerra. essa certeza veio pouco antes de um suspiro fundo. e eu dormi de novo.

4.5.09

dormiu. e acordou assustada, estava deitada dentro dos limites de um quadrado preto. na frente, outro branco. atrás também, dos lados. logo outros pretos. parecia um tabuleiro de xadrez. salvo que não havia nenhuma peça gigante. e toda aquela imensidão verde, o que tinha acontecido? estaria jogando com alguém? de quem era a vez? podia me mexer, pular de casa? nada parecia ter uma resposta clara. pulou para a seguinte casa, uma branca, e imediatamente, ao tocar com os pés no chão, virou preta também. era tudo muito estranho. novo salto, outra mudança de cor. foi pulando, pulando, pulando e pulando. até que acordou com soluço e dor no pé.