22.12.09
dependurado num porta-chaves ao lado da porta, desgastado chaveiro de plástico balança de leve a foto de um marinheiro beijando uma enfermeira em meio à multidão. a mão apertada na cintura e os olhos que não se vêem explodem o fim da guerra feita em terra dos outros, num agosto de 1945... explosion of kisses.
10.12.09
29.11.09
9.11.09
12.10.09
17.9.09
perto desse canto, à baixa altura, uma foto na parede. impressa em casa, firme por dois pequenos alfinetes nos cantos superiores. talvez um pouco desgastada. um rio, ao atardecer. uma bóia vermelha flutuando sobre a água e um balão no céu, muito alto, tanto que parecia do tamanho da bóia. tudo muito calmo.
11.9.09
2.9.09
23.8.09
21.8.09
17.8.09
9.8.09
5.8.09
28.7.09
23.7.09
25.6.09
12.6.09
e dormiu sem sonhar. acordou e levantou. precisa. direção a tomar: aquela. aquela já desaparecida de um possível mapa desse lugar irreconhecível. mas aquela. aquela que a levaria por um caminho reto, em algum deveria chegar. e caminhou. pensante. caminhou e sim, por fim, chegou a algum lugar. não tinha nenhum castelo por ali, nem qualquer coisa reconhecível, mas sim era algum lugar. devastado, talvez. ou em construção. não sabia o que pensar, mas seguiu entrando naquele espaço.
30.5.09
bem que podia ter sonhado com essa árvore cheia de doces. ou com o conforto da minha cama na casa dos meus pais quando tinha 8 anos e o mundo me parecia uma longa extensão da imaginação, seguro e imensamente misterioso. o quintal tinha um casal de coelhos brancos de olhos vermelhos, e virava e mexia me surpreendia com coelhinhos pulando de um lado pro outro no mato. pegá-los era um desafio e tanto, e era bom. numa dessas a gente pegava folhas de hortelã e socava no copo com água, pegava um figo maduro do pé e sentava na pedra pra lanchar. o quintal tinha plantas, frutas, flores, coelhos, pássaros, lagartos, e cobra também eu sempre achei que tinha, e terra, muita terra. e a terra de todos os lugares tem o mesmo cheiro, percebi. essa terra que me gela um pouco agora tem o cheiro daquela do quintal que era farinha pros nossos bolos de guerra. essa certeza veio pouco antes de um suspiro fundo. e eu dormi de novo.
4.5.09
dormiu. e acordou assustada, estava deitada dentro dos limites de um quadrado preto. na frente, outro branco. atrás também, dos lados. logo outros pretos. parecia um tabuleiro de xadrez. salvo que não havia nenhuma peça gigante. e toda aquela imensidão verde, o que tinha acontecido? estaria jogando com alguém? de quem era a vez? podia me mexer, pular de casa? nada parecia ter uma resposta clara. pulou para a seguinte casa, uma branca, e imediatamente, ao tocar com os pés no chão, virou preta também. era tudo muito estranho. novo salto, outra mudança de cor. foi pulando, pulando, pulando e pulando. até que acordou com soluço e dor no pé.
23.4.09
duas horas se passaram, mas pareceram alguns minutos. sabia que ali não era exatamente um lugar onde poderia descansar tranqüilamente naquela noite. olhei pro céu pendurado de estrelas e lembrei do que um professor disse uma vez, que o céu era um imenso mosaico do passado. pelo menos o passado do que um dia compôs o universo. também dentro de mim havia um mosaico de sentimentos que compunham meu passado, retalhado de cheiros, imagens, sons, texturas que de certa forma delimitavam também minha pele, o brilho dos meus olhos, o que sai da minha boca. voltei os olhos pra grama escurecida de noite pelo chamado de uma formiga impertinente na canela. se o castelo era agora um norte, não poderia entregar o corpo ao luxo do sono. era preciso chegar lá antes do sol. imaginei a terra e sua rotação incansável e corri, corri como quem corre em sentido contrário a ela, como se pudesse reverter o percurso das horas. enquanto controlava os passos desviando de buracos no caminho, demorei a cabeça no que haveria dentro das paredes de pedra. será que alguém morava ali? será que doeria conhecê-los? as dúvidas me atrapalharam a visão e com o pé metido em uma pequena vala caí como uma grande jaca no chão. culpando meu pé, percebi o quanto ainda cada célula minha precisava de descanso. e agora sem dúvida, andei até o pé de uma árvore, me ajeitei nela, repeti alto que não poderia haver nenhum perigo. nenhum maior do que eu mesma representava pra mim.
18.3.09
a certeza dos pés firmes no chão e um pouco de comida na mão parecia desvanecer-se outra vez. uma casinha e um castelo. o caminho agora parecia ter algum sentido, levava à alguma parte. mas as distâncias aumentaram, o verde se multiplicava conforme olhava para cada lado. um imenso deserto verde se apresentava diante e em todas partes. pelo menos o castelo se avistava, era um norte. e por ali foi. andou um pouco, mas logo o verde se escureceu e as estrelas brilhavam. parou para descansar, deveria dormir. pensou nos perigos da noite, mas pensou também que poderia não haver nenhum. dormiu exausto.
26.2.09
sozinho e levando consigo todo o mundo cruzou a grama verde entendida para todos os lados com passos largos de quem não tem certeza pra onde vai, e talvez por isso vá firme. escolhera o caminho. o sol já brilhava mais longe da terra e o imenso gramado de repente lhe pareceu menos estranho. alguns passos e estava à porta de casebrinho de pedra, verde de musgos nos cantos de fora, úmido no cheiro e rodeado de florzinhas amarelas por todos os lados. espreitou o interior e sentiu fresco o cheiro lá de dentro. pensou em chamar e fingir sua presença não ser invasão, mas não precisava. respirou o silêncio, e na mesa em frente pendiam pães feitos no forno à lenha dormindo na parede oposta. foi rápido em pegar um dos pequenos e sair comendo. se sobrevivera à noite mais misteriosa da sua vida com tanta sorte e coragem, se estava ali mastigando aquele pedaço bom de farinha, ovos e dedos, o que viesse seria fácil como abraçar um amigo. seria tudo mais fácil. pelo menos por um tempo, esperava. mas ao dobrar a parede externa da casinha, que dava para o castelo, sentiu de novo o rosto queimando em vermelho, e subitamente o pão não desceu pela garganta.
24.1.09
uma borboleta deveria haver. sim, deveria haver. mas não sei se tinha alguma por ali, efetivamente. esse jardim era um pouco inóspito, sempre. por onde andar agora. tudo era fresco, e cheio de possibilidades. seria qualquer caminho o correto, sem importar qual, ou realmente escolher um deles seria anular os outros e nunca mais saber o que teria sido por lá? deveria escolher um caminho, por andar. e nem uma borboleta por ali para dar uma pista.
13.1.09
seu pensamento vagava com o fresco molhado entre os dedos. o jardim era imenso, possivelmente parte de uma propriedade de família tradicionalmente rica. ou uma reserva pública para olhos se encherem e pulmões suspirarem. na verdade nada disso lhe importava. sabia o que significava estar ali e um pressentimento de que sua vida se reiniciava lhe gelou o corpo inteiro. com o estômago em neve, olhou em volta. deveria haver nesse mundo uma borboleta sequer que testemunhasse o nascer do sol daquela árvore de filme além de seus pés pintados de barro.
11.1.09
pés descalços na grama. que sensação. que se vão molhando e se encolhem. e logo pisam mais forte e se afundam. se abrem os dedos e entre eles um barro novo se coloca. o contato é estranho, e rápido, mas necessário. necessário para lembrar que estou descalço, ainda. necessário para lembrar que tive que cruzar este jardim. isso é importante.
8.1.09
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