26.2.09

sozinho e levando consigo todo o mundo cruzou a grama verde entendida para todos os lados com passos largos de quem não tem certeza pra onde vai, e talvez por isso vá firme. escolhera o caminho. o sol já brilhava mais longe da terra e o imenso gramado de repente lhe pareceu menos estranho. alguns passos e estava à porta de casebrinho de pedra, verde de musgos nos cantos de fora, úmido no cheiro e rodeado de florzinhas amarelas por todos os lados. espreitou o interior e sentiu fresco o cheiro lá de dentro. pensou em chamar e fingir sua presença não ser invasão, mas não precisava. respirou o silêncio, e na mesa em frente pendiam pães feitos no forno à lenha dormindo na parede oposta. foi rápido em pegar um dos pequenos e sair comendo. se sobrevivera à noite mais misteriosa da sua vida com tanta sorte e coragem, se estava ali mastigando aquele pedaço bom de farinha, ovos e dedos, o que viesse seria fácil como abraçar um amigo. seria tudo mais fácil. pelo menos por um tempo, esperava. mas ao dobrar a parede externa da casinha, que dava para o castelo, sentiu de novo o rosto queimando em vermelho, e subitamente o pão não desceu pela garganta.

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