24.1.09

uma borboleta deveria haver. sim, deveria haver. mas não sei se tinha alguma por ali, efetivamente. esse jardim era um pouco inóspito, sempre. por onde andar agora. tudo era fresco, e cheio de possibilidades. seria qualquer caminho o correto, sem importar qual, ou realmente escolher um deles seria anular os outros e nunca mais saber o que teria sido por lá? deveria escolher um caminho, por andar. e nem uma borboleta por ali para dar uma pista.

13.1.09

seu pensamento vagava com o fresco molhado entre os dedos. o jardim era imenso, possivelmente parte de uma propriedade de família tradicionalmente rica. ou uma reserva pública para olhos se encherem e pulmões suspirarem. na verdade nada disso lhe importava. sabia o que significava estar ali e um pressentimento de que sua vida se reiniciava lhe gelou o corpo inteiro. com o estômago em neve, olhou em volta. deveria haver nesse mundo uma borboleta sequer que testemunhasse o nascer do sol daquela árvore de filme além de seus pés pintados de barro.

11.1.09

pés descalços na grama. que sensação. que se vão molhando e se encolhem. e logo pisam mais forte e se afundam. se abrem os dedos e entre eles um barro novo se coloca. o contato é estranho, e rápido, mas necessário. necessário para lembrar que estou descalço, ainda. necessário para lembrar que tive que cruzar este jardim. isso é importante.

8.1.09

dava pra sentir o fresquinho do orvalho ardendo no nariz. no horizonte a manhã chegava sem pedir licença. nem deveria. nada que faz bem deveria nessa vida pedir licença. lembrou da noite e sentiu molhados os pés descalços na grama.
(é só o sono dos meus dias inúteis soluçando em janeiro. é esse leite no céu azedo de aviões e fumaça. é só um instante de fraqueza que passará. vou ler minha revista. e passará.)